terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Linda Colombina



Eu, Colombina

"Dize pra mim quem sou
Que, ao simples bailar no salão,
Trago costurados em meus vestidos
Amores,
Perjuros,
Juramentos,
Juízos!

Eu, Colombina...
Que faço promessas a mim mesma
De nunca ter só um coração ao meu alcance.

Quero todos
E, ao mesmo tempo, nada quero
Pois ter é sinal de cobiça
E não ter é sinal de ignorância.

Dize pra mim quem sou
Pois eu mesma já não sei
E, se sei, nem a mim tenho audácia de revelar.

Certeza só tenho de algo:
Que o meu desfilar no salão mascarado
É como deixar todo o espaço inebriado
De um perfume feminino
Que não só domina o olfato:
Domina a alma,
Domina o corpo,
Domina os lábios e o peito,
Domina os cinco sentidos
E até o sexto se acaso tiver.

Sou jovem, condenada ao acaso,
De povoar os sonhos meninos
De desejo,
De luxúria,
De romantismo.

Depende dos olhos que me vigiam:
Para uns, sou a borboleta selvagem
Em busca da mais linda e cobiçada Dama da Noite.
Para outros, sou a lua espelhada no riacho:
Linda, prateada e ingênua
Mas impossível de ser tocada.

Eu por mim só, sou a Colombina,
A dama que vagueia este salão populoso,
Em uma noite de esperanças,
À espera de um coração verdadeiro
Que não seja muito triste
E nem assim muito fogoso."

Juliana Rocha

Blog de meuamorvirtual : Borboletando, Linda Colombina

A Colombina é uma personagem que traz, na sua essência, a alma feminina, misto de sedução e inocência, de menina e  mulher à espera de alguém também contraditório, misto de  força e ternura, de seriedade e leveza, de homem com alma de menino... 

É justamente nas contradições que reside a riqueza das personagens, que se mostram humanas, com seus defeitos e acertos, quebrando o paradigma de personagens lineares ou maniqueístas, que são excessivamente puros e ingênuos, ou excessivamente libertinos e maus-caracteres.

Beijos, 

com carinho

Isabel

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