segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Lira Romantiquinha


Lira Romantiquinha

Por que me trancas
o rosto e o riso
e assim me arrancas
do paraíso?

Por que não queres,
deixando o alarme
(ai, Deus: mulheres!)
acarinhar-me?

Por que cultivas
as sem-perfumes
e agressivas
flores do ciúme?

Acaso ignoras
que te amo tanto,
todas as horas,
já nem sei quanto?

Visto que em suma
é todo teu,
de mais nenhuma,
o peito meu?

Anjo sem fé
nas minhas juras,
porque é que é
que me angusturas?

Minh'alma chove
Frio, tristinho.
Não te comoves
este versinho?

Carlos Drummond de Andrade


Uma delícia essa lira, com cara de cantiga trovadoresca,
Com um quê de vassalagem amorosa...
Ah, Drummond, sempre nos surpreendendo,
com seu lirismo meio sem jeito...

Isabel














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