terça-feira, 31 de maio de 2016

Marinha


Marinha

Grito teu nome aos ventos.
Olha: há uma revoada marítima.
O horizonte se afasta, há um ritmo largo
de ondas que se espreguiçam.


Velas esguias,
para onde voam?

Sulcos na praia,
para onde levam?


Amiga, amiga! Ah, dize-me depressa:
Quem grita aos ventos o teu nome?
O mar, ou eu,
o grande mar que o está cantando?


Emílio Moura

Sussurro das marés


 
No sussurro das marés ouço tua voz
a me chamar,
entrecortada de ventos,
crispada dos lilases do poente
e coroada da espuma verde da saudade.
Abro os braços com desejo,
mas só o vento me invade.

Mariza Alencastro


Ilusões


Ilusões

Velas fugindo pelo mar afora...
Velas... pontos - depois.., depois, vazia
a curva azul do mar, onde, sonora,
canta do vento a triste salmodia.

Partem pálidas, brancas... Vem a aurora
e vem a noite após, muda e sombria...
E, se em porto distante a frota ancora,
é para andar de novo no outro dia...

Assim, as ilusões. Chegam, garbosas,
palpitam sonhos, desabrocham rosas
na esteira azul das peregrinas frotas.

Chegam... Ancoram na alma um só momento:
logo, as velas abrindo, amplas, ao vento,
vão para os longes das regiões remotas.

Medeiros e Albuquerque



segunda-feira, 30 de maio de 2016

Acalanto


Acalanto 

Exaustos de fotografar a vida
em seus sessenta aspectos por minuto,
adormecem os olhos no aconchego
do crepúsculo antigo e sempre novo:
as imagens do dia, prisioneiras
entre as dobras das pálpebras, discutem
argumentos possíveis para um sonho.
 
 
Geir Campos


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