terça-feira, 22 de novembro de 2016

Esse Seu Olhar

Esse Seu Olhar

Este seu olhar
Quando encontra o meu
Fala de umas coisas
Que eu não posso acreditar 

Doce é sonhar
É pensar que você
Gosta de mim
Como eu gosto de você! 

Mas a ilusão
Quando se desfaz
Dói no coração
De quem sonhou
Sonhou demais 

Ah!, se eu pudesse entender
O que dizem os teus olhos

 Tom Jobim 


 

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Doçura


Doçura

Quando a aurora se rompe
Meu olhar dirige-se aos céus.
Sussurro às brumas e
Ouço que
Sem amor
Sem emoção
Sem doçura
Seríamos como gotas salgadas
de um frio oceano.
  
Arnalda Rabelo

domingo, 20 de novembro de 2016

Canção do Amor Sereno


Canção do Amor Sereno 

Vem sem receio: eu te recebo
Como um dom dos deuses do deserto
 Que decretaram minha trégua, e permitiram
Que o mel de teus olhos me invadisse.

Quero que o meu amor te faça livre,
Que meus dedos não te prendam
Mas contornem teu raro perfil
Como lábios tocam um anel sagrado.

Quero que o meu amor te seja enfeite
E conforto, porto de partida para a fundação
Do teu reino, em que a sombra

Seja abrigo e ilha.
Quero que o meu amor te seja leve
 Como se dançasse numa praia uma menina.

Lya Luft

Colhe o Dia


Colhe o Dia, porque És Ele

Uns, com os olhos postos no passado,
Veem o que não veem: outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, veem
O que não pode ver-se.

Por que tão longe ir pôr o que está perto —
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.


Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
O dia, porque és ele.


Ricardo Reis, in "Odes"
Heterônimo de Fernando Pessoa


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