quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Das Palavras Aéreas


Das Palavras Aéreas

Ai, palavras, ai, palavras,
Que estranha potência, a vossa!

Ai, palavras, ai, palavras,
Sois de vento, ides no vento,
No vento que não retorna,
E, em tão rápida existência,
Tudo se forma e transforma!
Sois de vento, ides no vento,
E quedais, com sorte nova!

Ai, palavras, ai palavras,
Que estranha potência, a vossa!
Todo o sentido da vida
Principia à vossa porta;
O mel do amor cristaliza
Seu perfume em vossa rosa;
Sois o sonho e sois a audácia,
Calúnia, fúria, derrota...

A liberdade das almas,
Ai! com letras se elabora...
E dos venenos humanos
Sois a mais fina retorta:
Frágil, frágil como o vidro
E mais que o aço poderosa!
Reis, impérios, povos, tempos,
Pelo vosso impulso rodam...

Cecília Meireles



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