quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

A Mulher de Lata


Blog de meuamorvirtual :Borboletando, A Mulher de Lata

A Mulher de Lata

Mal abria os olhos, já sentia um estranho formigamento no braço... tentava levantar-se, mas as juntas não ajudavam, com muito custo e depois de muito esforço e muito nheec, nheec, conseguia erguer uma perna, depois a outra. E saía,  com suas juntas desconjuntadas, carregando o peso  do seu corpo...

Lembrou-se do Homem de Lata, do livro “O Mágico de Oz”, de L Frank Baum. No livro, aliás, um dos seus de cabeceira, O Homem de Lata não era humano e seu sonho era ganhar um coração. Ela não. Era uma humana que tornou-se uma mulher de lata, num processo gradual de inumanização.

Como ocorreu esta passagem?! Seria possível revertê-la?! E a Mulher de lata continuava no seu arrastamento do corpo e dos pensamentos. Até eles pareciam-lhe pesados. Sua vontade era entregar os pontos, desistir, mas sabia que não podia. Como seria sua vida, presa para sempre em um corpo de lata?! E ainda um corpo enferrujado, que rangia parecendo porta de casa mal-assombrada.

Era preciso encontrar a resposta, a solução, reverter este processo, voltar a ser como antes. Se o Homem de Lata encontrou a sua resposta, mesmo através de um feiticeiro fajuto, ela também encontraria. Aliás, já sabia onde estava a resposta. É, da maneira, como todos, no fundo, sabem. Mas que têm medo de procurar... a resposta estava lá, na Sala dos Espelhos, a sala que revelava todos os defeitos, a sala que, como a Esfinge, desafiava: “Encara-me, ou fique para sempre imerso na escuridão da sua covardia!”

Era para lá que ela precisava ir... não dava para esperar mais. Se titubeasse mais um pouco, seria prisioneira daquele monte de lata barulhento...ah, como ela gostaria de uma Dorothy para jogar-lhe um pouco de óleo nas juntas, para fazer-lhe companhia até o seu destino, um lugar que, pra ela chegar, exigiria muito esforço, muita disciplina, muita determinação!!!

Mas não tinha Dorothy nenhuma, ou melhor, a Dorothy seria a sua vontade que a guiaria até a temível sala, diante da qual todos tremiam!

E assim revestindo-se da sua Dorothy interior, arrastando suas pernas desengonçadas, a Mulher de Lata partiu.
Quem ela encontrará no caminho?! Que aventuras, perigos e dissabores a esperam?! Conseguirá chegar afinal ao seu destino?!

Boa sorte, Mulher de Lata!!!

Beijos, com carinho

Isabel

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