quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

A Mulher de Lata II


Blog de meuamorvirtual :Borboletando, A Mulher de Lata - parte II

A Mulher de Lata - parte II

Caminhante, não há caminho, o caminho se faz ao caminhar. 

(Antonio Machado)

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A Mulher de Lata não era uma mulher qualquer. Culta, inteligente, gostava de ler e conhecia o que de melhor havia em termos de Literatura. Também tinha um doce coração... mas, em algum momento, deixou-se automatizar, deixou-se ir cerceando-se por uma armadura que lhe pesava e que lhe tolhia os movimentos e que, por isso, tornava ainda mais difícil a sua busca pela libertação. 

Certo – pensou ela – não sei o caminho, não sei nem se há caminho, mas farei o meu próprio caminho, irei em busca das respostas.... 

Fechou a porta com seu movimento vagaroso de juntas emperradas e saiu. Não sabia o que encontraria pelo caminho, nem quem encontraria. Talvez um leão medroso que só rugia, como o que a Dorothy encontrou mas que, no fundo, era um bom camarada. Ou alguém como o espantalho, simples, mas que escondia uma grande sabedoria por trás da aparente ignorância.

Sabia que o mais difícil já tinha feito: dar o primeiro passo, tomar uma decisão. 

O começo foi difícil, penoso. Ainda estava perto de casa. Que vontade de voltar! Todas as juntas desconjuntadas clamavam por repouso. Mas ela sabia que não poderia retroceder e deixar-se ficar prisioneira para sempre daquela armadura que, cada vez mais, a sufocava, a limitava. 

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E, passo após passo, segue a Mulher de Lata. Sem importar-se com os olhares, sem importar-se com os comentários. Só sabia que tinha que seguir em frente.... e seguia.... 

Aos poucos, foi percebendo que a armadura já não rangia tanto.... pesava ainda, é verdade, mas ao invés daquele incômodo nheec, nheec, agora percebia o canto dos passarinhos. 

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À medida que caminhava, sentia-se mais leve...distraía-se com os pássaros, cumprimentava as pessoas e já sorria, sem muito constrangimento. Na realidade, às vezes esquecia-se que tinha se transformado na Mulher de Lata. 

E, passo após passo, dia após dia, avistou, lá longe, o brilho do Palácio dos Espelhos. Tinha, finalmente, alcançado o seu objetivo! Apertou o passo, sorridente, e continuou.

Chegando ao palácio, foi convidada a entrar na tão temível sala, onde, finalmente, encontraria a resposta que viera buscar. Por um instante pensou em retroceder. Porque dá medo, sim, encarar o que está no avesso.... encarar a sua verdade, encarar o que a havia transformado numa engessada Mulher de Lata. 

Fechou os olhos...e depois foi, lentamente, abrindo-os... e sua surpresa foi enorme! Ela conseguia ver a si mesma, como era antes. Aliás, mais bonita, mais viçosa, sem nenhum sinal de armadura! Livre, leve, linda, feliz!!!

Onde tinha ficado a sua armadura?! E a revelação veio-lhe à mente.... a resposta não estava ali.... a resposta era o caminho! Enquanto caminhava fora libertando-se  de tudo o que lhe pesava... por isso os seus passos ficaram tão leves! E só agora ela percebia que a resposta não estava na resposta, mas na busca!

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E eu, não sei por que, me reconheci nesta Mulher de
Lata...
 
Beijos, com carinho 

Isabel

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