segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

O Poder do Tear - Penélope


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O Tear de Penélope

Guerra de Troia. Durante dez anos, gregos e troianos se enfrentaram na mais famosa guerra da História. Entre os líderes gregos, um se destacou por sua astúcia e uso de  uma estratégia que pôs fim à guerra, dando a tão arduamente conquistada vitória aos gregos: Ulisses, ou Odisseu, rei de Ítaca. Foi ele quem teve a ideia de construir um gigantesco cavalo de madeira e postá-lo à porta da cidade como uma oferenda aos deuses e como um sinal de rendição dos gregos. Os troianos acreditaram e aceitaram o "presente". Foi um erro fatal. Dentro do cavalo de madeira estavam Ulisses e seus soldados, que aproveitaram o estado de embriaguez dos troianos depois da comemoração pela suposta vitória, desceram do cavalo, abriram o portão da cidade, destruíram e queimaram Troia, matando os seus habitantes e levando outros como escravos. 

Embriagado pela fama e cheio de soberba, Ulisses desafiou e ofendeu os deuses, tomando para si toda a glória pela vitória... Posseidon não gostou nem um pouco e, por dez anos, fez com que ele navegasse sem rumo pelos mares, enfrentando toda sorte de perigos e desafios.

Enquanto isto, em Ítaca, sua esposa Penélope enfrentava uma difícil situação: estava sendo pressionada a escolher um dos muitos pretendentes que invadiram o palácio com o intuito de conseguir o trono de Ulisses, já que todos o consideravam morto. Todos, menos a sua fiel e apaixonada esposa... ela ainda acreditava em sua volta, mesmo tendo transcorrido vinte longos anos.

E agora era a sua vez de pensar em uma estratégia para ganhar tempo, esperando que, neste ínterim, seu amado esposo retornasse ao lar.  Então propôs aos seus impertinentes pretendentes que esperassem ela terminar de tecer a mortalha para o seu sogro Laertes.

Myriam Fraga faz um paralelo entre as duas estratégias:

"Há os que partem
E os que tecem,

Na urdidura das sombras
É Penélope
Mais astuta que Ulisses?"

O que os pretendentes não sabiam era que Penélope tecia de dia e destecia tudo o que tinha feito à noite. Desta forma, o trabalho não progredia e ela ganhava o que queria com este estratagema: tempo.

Myriam Fraga (in As Purificações ou o Sinal do Talião) continua a narrativa em seu poema:

"São pontos de um bordado
Que não cresce
Que se renova apenas
Do que tece
e destrói
Nos dedos que noturnos
Desenlaçam
O fio das meadas."

E foi usando astúcia, sabedoria e sendo guiada pelo o que era certeza para ela e incerteza para todos que ela conseguiu se manter a salvo até a volta do seu amado Ulisses.

Nos pontos do tear, que teciam  e nos dedos noturnos que desteciam, a história de uma mulher que ficou marcada na História como um modelo de persistência e fidelidade.

Isabel Menezes

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Beijos, 

com carinho

Isabel

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