terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Humildade



Humildade

Toda a terra que pisas, eu queria, ajoelhada,
Beijar terna e humilde em lânguido fervor;
Queria pousar fervente a boca apaixonada
Em cada passo teu, ó meu bendito amor!

De cada beijo meu, havia de nascer
Uma sangrenta flor! Ébria de luz, ardente!
No colo purpurino havia de trazer
Desfeito no perfume o misterioso Oriente!

Queria depois colher essas flores reais,
Essas flores de sonho, estranhas, sensuais,
E lançar-te aos pés em perfumados molhos.

Bem paga ficaria, ó meu cruel amante!
Se, sobre elas, eu visse apenas um instante
Cair como um orvalho os teus divinos olhos!

Florbela Espanca


Mais um BELÍSSIMO soneto da Florbela Espanca... de uma beleza ímpar, verdadeira obra-prima...

Na minha concepção, as duas maiores poetisas de Língua Portuguesa são a Cecília Meireles e a Florbela Espanca. Cecília com sua nostalgia, seus tons ocres, e Florbela com sua paixão, sua explosão de vermelho, sua força arrebatadora e até destruidora.

Beijos, com carinho

Isabel


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