quarta-feira, 30 de novembro de 2011

És Tu!



És Tu!

És tu! És tu! Sempre vieste, enfim!

Ouço de novo o riso dos teus passos!

És tu que eu vejo a estender-me os braços

Que Deus criou pra me abraçar a mim!

Tudo é divino e santo visto assim...

Foram-se os desalentos, os cansaços...

O mundo não é mundo: é um jardim!

Um céu aberto: longes, os espaços!

Prende-me toda, Amor, prende-me bem!

Que vês tu em redor? Não há ninguém!

A Terra? - Um astro morto que flutua...

Tudo o que é chama a arder, tudo o que sente,

Tudo o que é vida e vibra eternamente

É tu seres meu, Amor, e eu ser tua!



Florbela Espanca





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