domingo, 6 de março de 2016

O Dom de Ser Mulher Depois dos 40


Nos encontramos em um momento no qual nos permitimos crescer
e curar aquelas feridas e questões que haviam ficado
sem resolver na primeira metade da nossa vida.

Quantos anos tenho?

Tenho a idade em que as coisas são vistas com mais calma,
mas com o interesse de seguir crescendo.
Tenho os anos em que os sonhos começam a acariciar com os dedos
 e as ilusões se convertem em esperança.
Tenho os anos em que o amor, às vezes, é uma chama intensa,
ansiosa por consumir-se no fogo de uma paixão desejada.
E outras vezes é uma ressaca de paz, como o entardecer em uma praia.

Quantos anos tenho?

Não preciso de um número para marcar,
 pois meus anseios alcançados,
as lágrimas que derramei pelo caminho ao ver minhas ilusões despedaçadas
valem muito mais que isso.
O que importa se faço vinte, quarenta ou sessenta?!
O que importa é a idade que sinto.
Tenho os anos que necessito para viver livre e sem medos.
Para seguir sem temor pela trilha,
 pois levo comigo a experiência adquirida e a força de meus anseios.

Quantos anos tenho?

 Isso a quem importa?
Tenho os anos necessários para perder o medo
e fazer o que quero e o que sinto.

José Saramago

 

sábado, 5 de março de 2016

Versos adormecidos




Versos adormecidos

Despede-se a poesia do poeta
Com seus versos empalidecidos pelo tempo.
Vertem-se lágrimas de desesperança,
caídas, repousando no chão úmido.

Versos, ladeados de ternura jazem agora,
sobre as folhas mortas de outono.
Versos que antes era a esperança da alma,
rolam pelo chão, feito folhas secas e sem vida.

Restando a esperança que o tempo passe
e que a primavera volte.
E, como sementes adormecidas no solo,
brotem e floresçam versos.
E os versos que jaziam na terra molhada,
agora renasçam em poesia.

Cecília


sexta-feira, 4 de março de 2016

A Thousand Years - Christina Perri


Mil Anos

O coração acelerado
Cores e promessas
Como ser corajosa?
Como posso amar quando tenho medo de me apaixonar?
Mas ao ver você sozinho
Toda a minha dúvida de repente se vai de alguma maneira

Um pouco mais perto

Eu morri todos os dias esperando você
Querido, não tenha medo eu amei você
Por mil anos
Eu amarei você por mais mil

O tempo para
A beleza em tudo o que ela é
Terei coragem
Não deixarei nada levar embora
O que está à minha frente
Cada suspiro
Cada momento nos trouxe aqui

Um pouco mais perto

Eu morri todos os dias esperando você
Querido, não tenha medo, eu amei você
Por mil anos
Eu amarei você por mais mil

E o tempo todo eu acreditei que encontraria você
O tempo trouxe o seu coração para mim
Eu amei você por mil anos
Eu vou amar você por mais mil

Um pouco mais perto
Um pouco mais perto

Eu morri todos os dias esperando você
Querido, não tenha medo, eu amei você
Por mil anos
Eu amarei você por mais mil

E o tempo todo eu acreditei que encontraria você
O tempo trouxe o seu coração para mim
Eu amei você por mil anos
Eu vou amar você por mais mil


Juro que te vi!


Juro que te vi, bem-te-vi!
Entre as folhas verdes da mata,
no galho do pessegueiro,
na rama da minha roseira,
no beiral da velha varanda.

Juro que te vi, bem-te-vi!
Naquela manhã tão linda,
quando o vento assoviava,
trazendo uma brisa suave
 e seu canto até a mim.

Juro que te vi, bem-te-vi!
No mais alto da palmeira,
soando seu grito de paz,
enchendo o dia de graça.
e mesmo pra quem não te via
seu canto era de alegria,
quando cantava...Bem-te-vi!

Cecília


quinta-feira, 3 de março de 2016

Rancho das Flores


Rancho Das Flores

Entre as prendas com que a natureza
Alegrou este mundo onde há tanta tristeza
A beleza das flores realça em primeiro lugar
É um milagre do aroma florido
Mais lindo que todas as graças do céu
E até mesmo do mar

Olhem bem para a rosa
Não há mais formosa
É a flor dos amantes
É a rosa-mulher
Que em perfume e em nobreza
Vem antes do cravo
E do lírio e da hortênsia
E da dália e do bom crisântemo
E até mesmo do puro e gentil malmequer


E reparem no cravo o escravo da rosa
Que flor mais cheirosa!
Que enfeite sutil!
E no lírio que causa o delírio da rosa
O martírio na alma da rosa
Que é a flor mais vaidosa e mais prosa
Entre as flores do nosso Brasil

Abram alas pra dália garbosa
A flor mais vaidosa
Do grande jardim da existência das flores
Tão cheias de cores sutis
E também para a hortênsia inocente
A flor mais contente

No azul do seu corpo macio e feliz
Satisfeita da vida vem a margarida
Que é a flor preferida dos que têm paixão
E agora é a vez da papoula vermelha
A que dá tanto mel pras abelhas
E alegra este mundo tão triste
No amor que há no meu coração

E agora que temos o bom crisântemo
Seu nome cantemos em verso e prosa
Porém que não tem a beleza da rosa
Que uma rosa não é só uma flor
Uma rosa é uma rosa, é uma rosa
É a mulher rescendendo de amor

Composição: Vinicius de Moraes
Interpretação: Fagner

terça-feira, 1 de março de 2016

O Amor e o Tempo


 
 
O Amor e o Tempo

Pela montanha alcantilada
Todos quatro em alegre companhia,
O Amor, o Tempo, a minha amada
E eu, subíamos um dia.


De minha amada no gentil semblante
Já se viam indícios de cansaço,
O amor passava-nos adiante,
E o tempo, como acelerava o passo.


-"Amor, Amor, mais devagar!
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não pode com certeza caminhar
A minha doce amada companheira!"

Súbito o Amor e o Tempo combinados,
Abrem as asas trêmulas ao vento ...
-"Porque voais assim tão apressados?
Onde vos dirigis ?" Nesse momento


Volta-se o Amor e diz com azedume :
-"Tende paciência, amigos meus!
Eu sempre tive este costume
De fugir com o Tempo ... Adeus! Adeus! ..."


Rui Santos Garcia


Nunca se culpe por fazer a coisa certa


Nunca se culpe por ter amado. Por ter confiado. Por ter ajudado. Nunca se culpe por acreditar na bondade humana, na amizade verdadeira, no amor eterno. Nunca se culpe por pagar as contas em dia, ser dedicado ao seu trabalho, honrar seus compromissos. Nunca se culpe por dizer a verdade construtiva e pregar pequenas mentiras a fim de não magoar as pessoas. Nunca se culpe por algo que não deu certo apesar de todo empenho empregado. Nunca se culpe por fazer a coisa certa. 

Amou e não foi amado? Paciência. Acreditou que tinha um amigo de verdade e não tinha? Azar do falso amigo que perdeu o seu carinho e atenção. Ajudou alguém e recebeu ingratidão? O problema não está com você com certeza. 

Se o outro mentiu, não é você que deve se sentir magoado. Se o outro foi desleal, não é você que deve se sentir traído. Se o outro foi ingrato, não é você que deve se sentir tolo. Tolo é quem não consegue ver a beleza da solidariedade. Tolo é quem acha perda de tempo ajudar as pessoas. Tolo é quem se acha superior aos outros, autossuficiente. Tolo é quem ignora o sofrimento alheio. Tolo é que nunca se permitiu acreditar em nada e deixa a vida passar sem cor, sem odor, sem gosto. 

Pode soar como loucura ou poesia barata, mas tolice é deixar de viver, de amar, de acreditar, de se entregar aos sentimentos, sensações e desafios da vida. Tolice é deixar de amar por medo de ser desprezado. Tolice é deixar de fazer uma prova por medo de ser reprovado. Tolice é deixar de fazer um convite por medo de ouvir um não. Tolice é dizer que nada muda no mundo por preguiça de arregaçar as mangas. 

Sim, estamos no mundo para sofrer por amor, para sermos enganados por nós mesmos e pelos outros, manipulados, ignorados, mas também amados, queridos, acolhidos. Estamos no mundo para rir de nós mesmos, da nossa ingenuidade, dos absurdos que dizemos quando estamos tristes, confusos e sozinhos.

Estamos no mundo para ganhar e perder. Ganhar aprendizado perdendo o que julgamos mais querer. Estamos no mundo ao sabor das intempéries da natureza e precisamos aprender a nadar na marra quando formos arremessados no mar das incertezas. Viver é não saber. É não entender. É perdoar ...é se perdoar e seguir em frente. Nunca se culpe por fazer a coisa certa.

Sílvia Marques