sábado, 2 de junho de 2012

Música




Queridos amigos,

Apresento a vocês uma rádio web maravilhosa, com os mais variados gêneros musicais, da mais alta qualidade. O melhor é que ela disponibiliza muitos canais, cada um com um diferente gênero musical. Dá para usá-la enquanto se navega ou como som ambiente. Vale a pena conhecer! Aproveitem e curtam bastante!

Abraços

Isabel

http://www.sky.fm/

 Abaixo, a lista dos canais:


Relaxing Excursions
Pop Rock
80's Rock Hits
Club Bollywood
Soft Rock
Modern Rock
Hard Rock
Metal
Modern Blues
Ska
Smooth Jazz 24'7
Relaxation
Vocal New Age
Nature
Movie Soundtracks
Smooth Jazz
Solo Piano
New Age
Love Music
Top Hits
Best of the 80's
Hit 70's
Oldies
Mostly Classical
Dreamscapes
Classical Piano Trios
Classical Guitar
Country
Roots Reggae
Bossa Nova
Vocal Smooth Jazz
Uptempo Smooth Jazz
DaTempo Lounge
Piano Jazz
Salsa
World
Romantica
Classic Rock
Alternative Rock
Indie Rock
Dance Hits
Urban Jamz
Pop Punk
Classic Rap
Bebop Jazz
Jazz Classics
American Songbook
A Beatles Tribute
Jpop
Contemporary Christian

Como Nascem as Manhãs



Como Nascem as Manhãs

O fundo dos olhos da noite
guarda silêncios.
Esconde-se na retina
da menina que corre descalça em campo aberto.
Pálpebras cerradas, a noite emudece.
A menina com medo
faz um furo no escuro com a ponta do dedo.
Cai um pingo de luz.

Amanhece.

Flora Figueiredo


sexta-feira, 1 de junho de 2012

A Mulher na Canção de Chico Buarque


Terezinha

O primeiro me chegou
Como quem vem do florista:
Trouxe um bicho de pelúcia,
Trouxe um broche de ametista.
Me contou suas viagens
E as vantagens que ele tinha.
Me mostrou o seu relógio;
Me chamava de rainha.
Me encontrou tão desarmada,
Que tocou meu coração,
Mas não me negava nada
E, assustada, eu disse "não".

O segundo me chegou
Como quem chega do bar:
Trouxe um litro de aguardente
Tão amarga de tragar.
Indagou o meu passado
E cheirou minha comida.
Vasculhou minha gaveta;
Me chamava de perdida.
Me encontrou tão desarmada,
Que arranhou meu coração,
Mas não me entregava nada
E, assustada, eu disse "não".

O terceiro me chegou
Como quem chega do nada:
Ele não me trouxe nada,
Também nada perguntou.
Mal sei como ele se chama,
Mas entendo o que ele quer!
Se deitou na minha cama
E me chama de mulher.
Foi chegando sorrateiro
E antes que eu dissesse não,
Se instalou feito posseiro
Dentro do meu coração.

Chico Buarque


Terezinha

O desabrochar da sensualidade

A letra da canção "Terezinha" é inspirada na canção folclórica "Terezinha de Jesus", numa versão mais adulta, mais madura, que analisa não só o comportamento afetivo-sexual da mulher, como também o desenvolvimento da maturidade afetiva masculina.

Nesta canção, há três homens que chegam em diferentes momentos, em diferentes fases da vida do eu-lírico, que é feminino.

O primeiro chega com um bicho de pelúcia e um broche de ametista. Representa um amor de doação, já que não lhe negava nada, procurava agradá-la, a chamava de rainha, numa alusão a um amor inacessível, tal como ocorre nas cantigas de amor medievais. Há, neste caso, uma nítida relação edipiana, revelada pelo bicho de pelúcia, que remete à infância e à forma como o eu-lírico é amada. Note-se que o verbo chamar está no pretérito imperfeito, que revela uma ação passada, mas não acabada, o que sugere a continuidade da relação, porém não no mesmo nível, pois o eu-lírico se assusta com o sentimento, carregado de culpa pela ilicitude, e diz não.

O segundo representa uma atração e sentimento proibido, ilícito, incestuoso (irmão?). É o amor tirânico, controlador, que nada traz, a não ser uma garrafa de aguardente para o seu próprio consumo. Existe um sentido implícito que remete à sexualidade, tanto na garrafa como no conteúdo, mas prefiro analisar outros aspectos desta relação. Ele a encontra desa(r)mada, a chama de perdida (prostituta) e nada lhe entrega. Novamente o verbo chamar está no pretérito imperfeito, como no primeiro caso. E novamente ela diz não ao sentimento que a atrai mas, ao mesmo tempo, causa aversão, medo, sentimento de culpa...

O terceiro é alguém que ela não conhece (ainda) e que sequer sabe como se chama. Ele nada traz, nada pergunta, nada oferece, nada pede. Simplesmente a chama de mulher, agora no presente e com uma relação intrínseca com o substantivo chama, que remete à paixão, desejo, sensualidade. Ele foge do círculo edipiano e torna-se um amor permitido, que a realiza, que toma posse do seu coração.

Abraços, fiquem com Deus!

com carinho

Isabel

A Mulher na Canção de Chico Buarque - Terezinha de Jesus



Terezinha de Jesus


Terezinha de Jesus deu uma queda
Foi ao chão
Acudiram três cavalheiros
Todos de chapéu na mão

O primeiro foi seu pai
O segundo seu irmão
O terceiro foi aquele
Que a Tereza deu a mão

Terezinha levantou-se
Levantou-se lá do chão
E sorrindo disse ao noivo
Eu te dou meu coração



A cantiga popular "Terezinha de Jesus" mostra o percurso do desenvolvimento da afetividade e da sexualidade feminina, desenvolvida em etapas representadas pelas personagens que lhe dão a mão.


O chapéu representa a virilidade, a masculinidade. O fato de estar na mão pode significar cortesia, cavalheirismo, gentileza e representar o instinto de proteção do homem em relação à mulher, mas pode também ter uma conotação implícita de sexualidade presente na relação homem-mulher, pode representar a conquista, a corte, o convite, a escolha...

Os dois primeiros (pai e irmão) representam a fase edipiana que acontece na infância e que faz parte do desenvolvimento e do amadurecimento da criança, que busca, nos brinquedos e nos adultos, símbolos, modelos, representações da vida adulta, do papel que ela irá desempenhar futuramente.

A queda está relacionada à tomada de consciência, à puberdade, à transição da infância para a vida adulta. É a percepção do conceito do lícito e do ilícito, o sentimento de fragilidade, a chegada do momento de se fazer escolhas e de dar uma direção à vida. É o momento da separação, o momento do crescimento, que traz também uma sensação de desamparo e de culpa.

São três que lhe dão a mão e ela sabe que agora terá que deixar para trás o sentimento conflituoso, mas que a fez perceber o mundo, e escolher "aquele", o terceiro, o elemento novo que aparece na sua vida, trazendo novas perspectivas. Dar a mão a ele significa que agora ela está fazendo as próprias escolhas, que está saindo do mundo de faz-de-conta, onde era protegida, para ingressar em um novo mundo. É a simbologia da passagem para uma nova realidade, para a vida adulta. Agora ela não é mais Terezinha (criança), mas Tereza (mulher).

As cantigas de roda e os contos de fada estão repletos de simbologia que representam, de maneira inconsciente e lúdica, a vida adulta, e mostram para a criança que há enfrentamentos, que há obstáculos para que ocorra a passagem para o mundo que a espera.



Beijos para todos!

Isabel

terça-feira, 29 de maio de 2012

A Mulher na Música de Chico Buarque




O Meu Amor


O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios, de me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz


Chico Buarque



A Mulher Na canção de Chico Buarque

A Mulher Sensual

Depois da doce e angelical Beatriz, de um amor platônico e  idealizado, temos a figura de uma mulher extremamente sensual, que descreve os seus momentos de amor sem maiores pudores, embora de uma forma extremamente poética: "E me beija com calma e fundo/ Até a minha alma se sentir beijada."
O eu-lírico usado por Chico é novamente feminino, e demonstra toda a sua sensualidade de uma forma clara, não fazendo uso de figuras, o que deixa o texto mais óbvio, dispensando maiores comentários e interpretações.
A parceria de Alcione com Maria Bethânia ficou impecável. Duas grandes musas reunidas numa interpretação digna da beleza da música, não só no que se refere à letra, mas também à melodia.

Uma ótima semana para todos!

Beijos, com carinho

Isabel


sexta-feira, 25 de maio de 2012

Desejos



Quero

Quero cores
E cantiga de anjos
Quero flores
Dálias
Margaridas
E girassóis
Quero o remanso das tardes
Nas sombras das árvores
Quero ipês amarelos floridos
E o perfume dos lírios
Quero o colo e o afago
O doce do beijo
O acorde do realejo
O mel
A semente
O anseio
Quero frutas no pomar
Maduras
E tortas de maçã
Esfriando na janela
Pitangas vermelhas
E pássaro que canta
Em manhãs de sol
E quando não houver mais nada
No final do dia
Quero a paz do teu olhar
Em melodia
E o encanto das palavras
Em um poema


Lou Witt


quarta-feira, 23 de maio de 2012

Palavras


Palavras
 
Palavras são pássaros que pousam
nas páginas que alguém lê
Palavras são bálsamos que curam
a dor que alguém sente.
Palavras são flores que perfumam
São cores que alucinam.

Mas muitas vezes
palavras são flechas
que ferem sem dó.
São fogos que queimam
deixando corações em pó.

Palavras às vezes são
palavras que não deveriam ter sido.

Lou Witt




terça-feira, 22 de maio de 2012

Pouco a Pouco



Entrega


Não me entrego de uma vez
vou pouco a pouco
como loba rondando a casa
ou lua esquecida acesa
nas primeiras horas da manhã
vou passo a passo
como poesia rondando a vida
vou lentamente
como pássaro que aprende o ar
e de repente sou loba sou lua
sou poesia e pássaro derramado

Roseana Murray


Era Uma Vez...




Conto de Fadas

Eu trago-te nas mãos o esquecimento
Das horas más que tens vivido, Amor!
E para as tuas chagas o unguento
Com que sarei a minha própria dor.


Os meus gestos são ondas de Sorrento...
Trago no nome as letras de uma flor...
Foi dos meus olhos garços que um pintor
Tirou a luz para pintar o vento...


Dou-te o que tenho: o astro que dormita,
O manto dos crepúsculos da tarde,
O sol que é d'oiro, a onda que palpita.


Dou-te comigo o mundo que Deus fez!
- Eu sou Aquela de quem tens saudade,
A Princesa do conto: "Era uma vez..."


Florbela Espanca