terça-feira, 22 de maio de 2012

Palavras


Palavras
 
Se me disseres que me amas, acreditarei,
mas se escreveres que me amas,
acreditarei ainda mais.
Se me falares da tua saudade, entenderei,
mas se escreveres sobre ela,
sentirei junto contigo.
Se a tristeza vier a te consumir e me contares, eu saberei,
mas se a descreveres no papel, o seu peso será menor.

... E assim são as palavras escritas;
possuem um magnetismo especial,
libertam, acalantam, invocam emoções.
Elas possuem a capacidade de em poucos minutos
cruzar mares, saltar montanhas,
atravessar desertos intocáveis.
Muitas vezes perde-se o autor,
mas a mensagem sobrevive ao tempo,
atravessando séculos e gerações.
Elas marcam um momento que será eternamente
revivido por todos aqueles que a lerem.

Faça amor com as palavras, mate saudades, peça perdão,
aproxime-se, recupere o tempo perdido, insinue-se,
alegre alguém, dê simplesmente um bom dia,
faça um carinho especial.
Use-a a todo instante, de todas as maneiras;
sua força é imensurável.
Não esqueça que quem escreve,
constrói um castelo,
e quem lê, passa a habitá-lo.

Silvana Duboc



domingo, 20 de maio de 2012

Contradições


Contraste

Você é fogo, a chama mais ardente,
Semente a germinar em pleno cio,
É luz que o sol espalha suavemente,
É toque de prazer, é arrepio...

É água cristalina da nascente
Que corre lentamente para o rio,
Paixão que vem assim, tão de repente,
Deixando o coração por quase um fio.

Você é o meu passado mais presente...
Calor a me aquecer durante o frio,
Loucura que enlouquece loucamente!

Você é como um sonho inocente,
É brisa mansa em manhã de estio
E muitas vezes temporal fremente!

Antonio Manoel Abreu Sardenberg




Me encante...





Me encante

Me encante da maneira que você quiser, como você souber.
Me encante, para que eu possa me dar…
Me encante nos mínimos detalhes.
Saiba me sorrir: aquele sorriso malicioso,
Gostoso, inocente e carente.

Me encante com suas mãos,
Gesticule quando for preciso.
Me toque, quero correr esse risco.
Me acarinhe se quiser…
Vou fingir que não entendo,
Que nem queria esse momento.

Me encante com seus olhos…
Me olhe profundo, mas só por um segundo.
Depois desvie o seu olhar.
Como se o meu olhar,
Não tivesse conseguido te encantar…
E então, volte a me fitar.
Tão profundamente, que eu fique perdido.
Sem saber o que falar…

Me encante com suas palavras…
Me fale dos seus sonhos, dos seus prazeres.
Me conte segredos, sem medos,
E depois me diga o quanto te encantei.
Me encante com serenidade…
Mas não se esqueça também,
Que tem que ser com simplicidade,
Não pode haver maldade.

Me encante com uma certa calma,
Sem pressa. Tente entender a minha alma.
Me encante como você fez com o seu primeiro namorado…
Sem subterfúgios, sem cálculos, sem dúvidas, com certeza.
Me encante na calada da madrugada,
Na luz do sol ou embaixo da chuva….

Me encante sem dizer nada, ou até dizendo tudo.
Sorrindo ou chorando. Triste ou alegre…
Mas, me encante de verdade, com vontade…
Que depois, eu te confesso que me apaixonei,
E prometo te encantar por todos os dias…
Pelo resto das nossas vidas!!!

Pablo Neruda



sexta-feira, 18 de maio de 2012

Desejos



 Oração Celta do Amor

Que jamais, em tempo algum, o teu coração acalente ódio.

Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior.

Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro.

Que as perdas do teu caminho sejam sempre encaradas como lições de vida.
Que a música seja tua companheira de momentos secretos contigo mesmo.

Que os teus momentos de amor contenham a magia de tua alma eterna em cada beijo.

Que os teus olhos sejam dois sóis olhando a luz da vida em cada amanhecer.
Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz.

Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas de tua passagem em cada coração.

Que em cada amigo o teu coração faça festa, que celebre o canto da amizade profunda que liga as almas afins.

Que em teus momentos de solidão e cansaço, esteja sempre presente em teu coração a lembrança de que tudo passa e se transforma, quando a alma é grande e generosa.

Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, para que tu percebas a ternura invisível, tocando o centro do teu ser eterno.

Que um suave acalanto te acompanhe, na terra ou no espaço, e por onde quer que o imanente invisível leve o teu viver.

Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável!

Que os teus pensamentos e os teus amores, o teu viver e a tua passagem pela vida, sejam sempre abençoados por aquele amor que ama sem nome. Aquele amor que não se explica, só se sente. 

Que esse amor seja o teu acalento secreto, viajando eternamente no centro do teu ser.




sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Alma Gêmea



Alma Gêmea

"Uma alma gêmea é alguém
cujas fechaduras coincidem
com as nossas chaves
 e cujas chaves coincidem
com as nossas fechaduras.

Quando nos sentimos seguros
 a ponto de abrir as fechaduras,
 surge o nosso EU mais verdadeiro
 e podemos ser completamente
 e honradamente quem somos.
Cada um descobre
 a melhor parte do outro."

Richard Bach




segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Sonho de Menina




Sonho de Menina

A menina sonhava
em ser gente grande
ganhar o mundo e ser feliz
O tempo passava tão lento
e a menina ansiosa aguardava
Finalmente cresceu
e o tempo passa tão rápido
ela agora sonha inverso
quer voltar a ser menina
e novamente ser feliz


Lou Witt



sábado, 10 de dezembro de 2011

Vento



Vento

De onde vem o vento?
Chega sem aviso.

Pastoreia as nuvens,
atropela as ondas,
arrepia o rio.

Como brinca o vento!
Gira corrupios

com as folhas mortas.
Assobia em frestas
Feliz, se balança
nos mais altos ramos
inventa a dança das sombras
no chão dos caminhos.

Quem segura o vento?
Como é doce o vento

quando é brisa leve
e passa de mansinho!

Livre como veio,

vai-se embora o vento.


Helena Kolody




Sou Toda Coração


Nos demais,
todo mundo sabe,
o coração tem moradia certa,
fica bem aqui no meio do peito.
Mas comigo a anatomia endoideceu:
sou toda coração.

Maiakovski



quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Utopia




Quem Tivesse Um Amor

Quem tivesse um amor, nesta noite de lua,
para pensar um belo pensamento
e pousá-lo no vento!

Quem tivesse um amor - longe, certo e impossível -
para se ver chorando, e gostar de chorar,
e adormecer de lágrimas e luar!

Quem tivesse um amor, e, entre o mar e as estrelas,
partisse por nuvens, dormente e acordado,
levitando apenas, pelo amor levado...

Quem tivesse um amor, sem dúvida nem mácula,
sem antes nem depois: verdade e alegoria...
Ah! quem tivesse... (Mas, quem teve? quem teria?)

Cecília Meireles






A Felicidade de Sonhar-te




Venturosa de Sonhar-te



Venturosa de sonhar-te,

à minha sombra me deito.

(Teu rosto, por toda parte,

mas, amor, só no meu peito!)



-Barqueiro, que céu tão leve!

Barqueiro, que mar parado!

Barqueiro, que enigma breve,

o sonho de ter amado!



Em barca de nuvem sigo:

e o que vou pagando ao vento

para levar-te comigo

é suspiro e pensamento.



-Barqueiro, que doce instante!

Barqueiro, que instante imenso,

não do amado nem do amante:

mas de amar o amor que penso!


Cecilia Meireles




terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Coisas Simples




Uma flor
Um pássaro
Uma mão que acaricia
Um poema que nasce
Coisas simples
Que fazem a vida imensa

Lou Witt





Quero



 Quero



Quero cores

E cantiga de anjos

Quero flores
Dálias
Margaridas
E girassóis
Quero o remanso das tardes
Nas sombras das árvores
Quero ipês amarelos floridos
E o perfume dos lírios
Quero o colo e o afago
O doce do beijo
O acorde do realejo
O mel
A semente
O anseio
Quero frutas no pomar
Maduras
E tortas de maçã
Esfriando na janela
Pitangas vermelhas
E pássaro que canta
Em manhãs de sol
E quando não houver mais nada
No final do dia
Quero a paz do teu olhar
Em melodia
E o encanto das palavras
Em um poema

Lou Witt




domingo, 4 de dezembro de 2011

Riscos



Riscos

Rir é correr o risco de parecer tolo.

Chorar é correr o risco de parecer sentimental.

Estender a mão é correr o risco de se envolver.
Expor seus sentimentos é correr o risco
de mostrar seu verdadeiro eu.
Defender seus sonhos e ideias diante da multidão
é correr o risco de perder as pessoas.
Amar é correr o risco de não ser correspondido.
Confiar é correr o risco de se decepcionar.
Tentar é correr o risco de fracassar.
Mas os riscos devem ser corridos,
porque o maior perigo é não arriscar nada.
Há pessoas que não correm nenhum risco,
não fazem nada, não têm nada e não são nada.
Elas podem até evitar sofrimentos e desilusões,
mas elas não conseguem nada,
não sentem nada, não mudam, não crescem,
não amam, não vivem.
Acorrentadas por suas atitudes,
elas viram escravas, privam-se de sua liberdade.

Somente quem corre riscos é livre!

(Sêneca, orador romano)