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domingo, 29 de maio de 2016

Lua em Verso e Prosa


Sobre o mar a lua deitou sua lamúria
esparramou nas águas oceânicas sua fúria
cheia de si mesma
minguou até escurecer a própria face
tornou-se um quarto crescente
de gemidos e mágoas
envelheceu
até lembrar-se de que uma parte sua
ainda era nova

Lua cheia
lua minguante
lua crescente
lua nova
Lua que é meia
lua carente
canta suas dores
em verso e prosa

Úrsula Avner


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Solidão

 
 
Só

Eu tenho pena da Lua!
Tanta pena, coitadinha,
Quando tão branca, na rua
A vejo chorar sozinha!...

As rosas nas alamedas,
E os lilases cor da neve
Confidenciam de leve
E lembram arfar de sedas

Só a triste, coitadinha...
Tão triste na minha rua
Lá anda a chorar sozinha ...

Eu chego então à janela:
E fico a olhar para a lua...
E fico a chorar com ela! ...

Florbela Espanca


domingo, 31 de janeiro de 2016

Romance



Romance

Como em um romance, o sol se esconde
no crepúsculo da tarde, e o céu se adorna
de estrelas douradas.

Enquanto isso o mar sussurra baixinho,
as ondas embriagam-se do perfume das algas
aguardando os ardentes beijos da lua.

Arnalda Rabelo
  
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Blog de meuamorvirtual : Borboletando, Romance


Pássaro da Lua

Blog de meuamorvirtual :Borboletando, Pássaro da Lua

Pássaro da Lua

Pássaro da lua,
que queres cantar,
nessa terra tua,
sem flor e sem mar?

Nem osso de ouvido
Pela terra tua.

Teu canto é perdido,
pássaro da lua...
Pássaro da lua,
por que estás aqui?

Nem a canção tua
precisa de ti!

Cecília Meireles

Blog de meuamorvirtual : Borboletando, Pássaro da Lua

Bom dia, queridos amigos!

Pequena Canção, de Cecília Meireles, é um dos poemas que compõem o livro Vaga Música, publicado em 1942. Não é à toa que o livro tem este nome, pois a maioria dos poemas é composta em forma de canção, que privilegia a sonoridade das palavras e o ritmo, o cadenciamento entre sílabas forte e fracas, deixando-o musical.

O poema inicia-se com um questionamento: como o pássaro da lua pode cantar se em sua terra (Lua) não há flor nem mar?! O primeiro aspecto, então, é a negação da inspiração, a negação do motivo para o pássaro cantar.

A segunda estrofe contém a segunda negação: não há para quem o pássaro cantar. Sendo assim, seu canto é perdido. Temos aí um jogo de palavras que explora a sonoridade e o significado da palavra osso, que também pode ter o sentido de ouço: "nem osso de ouvido"  refere-se aos ossos que o ouvido tem, dando a entender que o pássaro da lua não tem ninguém  para ouvi-lo. Portanto, perde-se a razão do canto e acentua-se a solidão do pássaro.

Na terceira estrofe temos a negação da própria razão de ser do pássaro. A canção, sem ter aquilo de que falar e sem ter para quem falar, não precisa de um cantor. É a negação total, numa situação de desolamento, em que não há nem flor nem mar nem ouvido e nem a razão de ser do pássaro, que é cantar. Ninguém precisa dele, nem mesmo a canção.

Indiferente a todas as razões, o pássaro da lua simplesmente canta. E, por estas mesmas razões, seu canto é mais puro, mais belo, mais cristalino!

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Este poema nos remete a um outro, da própria Cecília:

Inscrição na Areia

O meu amor não tem
importância nenhuma.
Não tem o peso nem
de uma rosa de espuma!

Desfolha-se por quem?
Para quem se perfuma?

O meu amor não tem
importância nenhuma. 

Cecilia Meireles 






Beijos, um ótimo final de semana para todos!

com carinho

Isabel

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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Melodia Sentimental



Melodia Sentimental 
 
Acorda, vem ver a lua
Que dorme na noite escura
Que surge tão bela e branca
Derramando doçura
Clara chama silente
Ardendo meu sonhar

As asas da noite que surgem
E correm no espaço profundo
Oh, doce amada, desperta
Vem dar teu calor ao luar

Quisera saber-te minha
Na hora serena e calma
A sombra confia ao vento
O limite da espera
Quando dentro da noite
Reclama o teu amor

Acorda, vem olhar a lua
Que brilha na noite escura
Querida, és linda e meiga
Sentir meu amor e sonhar

Composição: Heitor Vila-lobos / Dora Vasconcelos

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Olá, queridos amigos!

Nada como de deleitar uma melodia sentimental, que desperte a nossa sensibilidade, que deixe as nossas emoções à flor da pele... 

Acredito que, nos alimentando de beleza, de doçura, as nossas palavras e ações serão assim, um reflexo do que somos e pensamos.

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Beijos

com todo o meu carinho

Isabel

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