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sábado, 30 de janeiro de 2016

Valsinha


Valsinha

Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar

E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar

E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu, e o dia amanheceu em paz

Composição: Vinicius de Moraes e Chico Buarque

 Blog de meuamorvirtual : Borboletando, Valsinha
 
Vento Novo
 
Estava enrolada
em teias e traças,
debaixo da escada,
lá no subsolo
da casa fechada.

Começava a tomar ares de desgraça.
Manchada do tempo,
fenecia
a esperar que um dia
alguma coisa acontecesse.

Antes que se perdesse completamente,
sentiu passar um vento cor-de-rosa.

Toda prosa, espanou a bruma,
pintou os lábios
e sem vergonha nenhuma
caprichou no recorte do decote.

A felicidade volta à praça
cheia de dengo e de graça,
com perfume novo no cangote.

Flora Figueiredo

Blog de meuamorvirtual : Borboletando, Valsinha

Tanto a música do Chico como o poema da Flora Figueiredo
Falam da possibilidade de mudança, de recomeço.

Mas, para isso, é necessário que se tome uma decisão.

Depois, é preciso que haja atitude, ação.

Ficar em casa com o vestido cheirando a guardado
Ou ficar enrolada em teias e traças
Não fará com que as mudanças aconteçam,
Com que os sonhos se realizem.

Hora, então, de sentir o vento cor-de-rosa,
Caprichar no decote,
Colocar perfume novo no cangote,
Sair para a praça
E contagiar a cidade
Com a sua felicidade...

 
Beijos,

Isabel