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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Quem Tivesse Um Amor


Quem tivesse um amor, nesta noite de lua,
para pensar um belo pensamento
e pousá-lo no vento!

Quem tivesse um amor - longe, certo e impossível -
para se ver chorando, e gostar de chorar,
e adormecer de lágrimas e luar!

Quem tivesse um amor, e, entre o mar e as estrelas,
partisse por nuvens, dormente e acordado,
levitando apenas, pelo amor levado...

Quem tivesse um amor, sem dúvida nem mácula,
sem antes nem depois: verdade e alegoria...
Ah! quem tivesse... (Mas, quem teve? quem teria?)

Cecília Meireles

 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A Arte de Ser Feliz





A Arte de Ser Feliz

HOUVE um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa e sentia-me completamente feliz.

HOUVE um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém a minha alma ficava completamente feliz.

HOUVE um tempo em que a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma regra: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

MAS, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Cecília Meireles



Ser feliz é uma arte... a arte de ver o mundo! 

Tem um pensamento que diz que a vida tem a cor que nós pintamos.  Sendo assim, vamos colori-la com cores alegres, com a tinta da amizade, do carinho, do respeito, da alegria...

Que aprendamos, a cada dia, a arte de ser feliz!!!

Beijos, com carinho

Isabel




sábado, 30 de janeiro de 2016

O Poder das Palavras


Blog de meuamorvirtual :Borboletando, O Poder das Palavras

 O ex-mendigo

Sempre num lugar por onde passavam muitas pessoas, um mendigo sentava-se na calçada e colocava ao lado uma placa com os dizeres:

"Vejam como sou feliz! Sou um homem próspero, sei que sou bonito, sou muito importante, tenho uma bela residência, vivo confortavelmente, sou um sucesso, sou saudável e bem humorado."

Alguns passantes o olhavam intrigados, outros o achavam doido e outros até davam-lhe dinheiro. Todos os dias, antes de dormir, ele contava o dinheiro e notava que a cada dia a quantia era maior.

Numa bela manhã, um importante e arrojado executivo, que já o observava há algum tempo, aproximou-se e lhe disse:

- Você é muito criativo! Não gostaria de colaborar numa campanha da empresa?

- Vamos lá. Só tenho a ganhar! Respondeu o mendigo.

Após um caprichado banho e com roupas novas, foi levado para a empresa. Daí para frente sua vida foi uma sequência de sucessos e com o tempo ele tornou-se um dos sócios da empresa.

Numa entrevista coletiva à imprensa, ele esclareceu como conseguira sair da mendicância para tão alta posição. Contou ele:

- Bem, houve uma época em que eu costumava me sentar nas calçadas com uma placa ao lado, que dizia:

"Sou um nada neste mundo! Ninguém me ajuda! Não tenho onde morar! Sou um homem fracassado e maltratado pela vida! Não consigo um mísero emprego que me renda alguns trocados! Mal consigo sobreviver!"

- As coisas iam de mal a pior quando, certa noite, achei um livro e nele atentei para um trecho que dizia:

"Tudo que você fala a seu respeito vai se reforçando. Por pior que esteja a sua vida, diga que tudo vai bem. Por mais que você não goste de sua aparência, afirme-se bonito. Por mais pobre que seja você, diga a si mesmo e aos outros que você é próspero."

- Aquilo me tocou profundamente e, como nada tinha a perder, decidi trocar os dizeres da placa para:

"Vejam como sou feliz! Sou um homem próspero, sei que sou bonito, sou muito importante, tenho uma bela residência, vivo confortavelmente, sou um sucesso, sou saudável e bem humorado."

- E a partir desse dia tudo começou a mudar, a vida me trouxe a pessoa certa para tudo que eu precisava, até que cheguei onde estou hoje. Tive apenas que entender o Poder das Palavras. O Universo sempre apoiará tudo o que dissermos, escrevermos ou pensarmos a nosso respeito e isso acabará se manifestando em nossa vida como realidade. Enquanto afirmarmos que tudo vai mal, que nossa aparência é horrível, que nossos bens materiais são ínfimos, a tendência é que as coisas fiquem piores ainda, pois o Universo as reforçará. Ele materializa em nossa vida todas as nossas crenças.

Uma repórter, ironicamente, questionou:

- O senhor está querendo dizer que algumas palavras escritas numa simples placa modificaram a sua vida?

Respondeu o homem, cheio de bom humor:

- Claro que não, minha ingênua amiga!
 Primeiro eu tive que acreditar nelas!!!

(autor desconhecido)

Blog de meuamorvirtual : Borboletando, O Poder das Palavras

"Pela fé reconhecemos que o mundo foi formado pela palavra de Deus e que as coisas visíveis se originaram do invisível."

"No princípio era o Verbo..."

Sou fascinada pelas palavras e pelo poder que elas contém. 

Em "Das palavras aéreas", Cecília Meireles descreve bem esta potência contida nas palavras:

"Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
ai, palavras, ai, palavras,
sois de vento, ides no vento,
no vento que não retorna,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!

Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
todo o sentido da vida
principia à vossa porta;
o mel do amor cristaliza
seu perfume em vossa rosa;
sois o sonho e sois a audácia,
calúnia, fúria, derrota..."

De uma forma positiva ou negativa, as palavras influenciam nossas vidas e nos marca de forma indelével. Quando nos lembramos de alguém, lembramos do que essa pessoa falou e que nos marcou. Às vezes, a palavra marca como ferro em brasa em nossas almas, deixando cicatrizes que nunca se apagam.

A palavra penetra, a palavra fere, a palavra suaviza, alegra, entristece, nos faz sorrir, nos faz chorar...

Se há tanto poder nas palavras, por que não usamos este poder de forma construtiva, tanto para nós como para os que nos cercam?! Bênçãos, e não maldição; alegria, e não tristeza...

Já pensaram no que está baseada tantas teorias, filosofias, teologias?! No poder da palavra! E realmente faz toda a diferença! Qual a receita usada por tantos gurus que descobriram este poder e o vendem a preços exorbitantes?! É simples: deseje, sonhe, acredite. Empenhe-se com todas as forças no seu sonho e ele se realizará! E o que parece um milagre é apenas a nossa fé em ação, tornando visível o que estava invisível.

Este é o poder da oração quando proferida com fé, este é o poder da bênção quando falamos um simples "Deus te abençoe" ou "fique com Deus", este é o poder de desejarmos o bem, é o poder que faz toda a diferença em nossas vidas!

Vamos usá-lo?!

Beijos, com carinho

Isabel



Anoitecer

Blog de meuamorvirtual :Borboletando, Anoitecer

Suavíssima

Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
No céu de outono, anda um langor final de pluma
Que se desfaz por entre os dedos, vagamente . . .

Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
Tudo se apaga, e se evapora, e perde, e esfuma . . .

Fica-se longe, quase morta, como ausente . . .
Sem ter certeza de ninguém . . . de coisa alguma . . .
Tem-se a impressão de estar bem doente, muito doente,
De um mal sem dor, que se não saiba nem resuma . . .

E os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .

A alma das flores, suave e tácita, perfuma
A solitude nebulosa e irreal do ambiente . . .

Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
Tão para lá! . . . No fim da tarde . . . além da bruma . . .

E silenciosos, como alguém que se acostuma
A caminhar sobre penumbras, mansamente,
Meus sonhos surgem, frágeis, leves como espuma . . .
Põem-se a tecer frases de amor, uma por uma . . .

E os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .

Cecília Meireles

Blog de meuamorvirtual : Borboletando, Anoitecer

Um poema delicadíssimo da Cecília Meireles, retratando o crepúsculo vespertino, o fim da tarde, o dia se desfazendo, se apagando... e, de longe, os galos cantando...

Quis arrematar o poema com imagens de galos, e encontrei imagens belíssimas, de pintores famosos, outros nem tanto...mas que fizeram uma linda e alegre composição de cores, combinando com o colorido do céu no final do dia.

Beijos,

com carinho

Isabel 

Blog de meuamorvirtual : Borboletando, Anoitecer
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Vento

Blog de meuamorvirtual :Borboletando, Vento

Vento

Passaram os ventos de agosto, levando tudo.
As árvores humilhadas bateram, 
bateram com os ramos no chão.

Voaram telhados, voaram andaimes, 
voaram coisas imensas;

os ninhos que os homens não viram nos galhos,
e uma esperança que ninguém viu, num coração.

Passaram os ventos de agosto, terríveis, 
por dentro da noite.
Em todos os sonos pisou, 
quebrando-os, o seu tropel.

Mas, sobre a paisagem cansada 
da aventura excessiva -
sem forma e sem eco,

o sol encontrou as crianças 
procurando outra vez o vento
para soltarem papagaios de papel.

Cecilia Meireles

Blog de meuamorvirtual : Borboletando, Vento

 Belíssimo poema da grande Cecília Meireles, nos mostrando que há, sim, dias, e meses, e talvez até anos, onde o que sopra são ventos como os de agosto, despedaçando sonhos e até esperanças. 
 
Mas, um dia, uma leve brisa vai soprar, tudo irá se renovar e as crianças estarão novamente na rua, com suas pipas coloridas a voar no céu! 
 
Um beijo carinhoso para todos!

Isabel

Blog de meuamorvirtual : Borboletando, Vento

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A ruiva rosa sonora...


A ruiva rosa sonora...

Com sua agulha sonora
borda o pássaro o cipreste:
rosa ruiva da aurora,
folha celeste.

E com tesoura sonora
termina o bordado aéreo.
Silêncio. E agora
parte para o mistério.

A ruiva rosa sonora
com sua folha celeste
imperecível mora
no cipreste.

Cecília Meireles








terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Minha Barca Desliza Rápido


Minha barca desliza rápido.
Contemplo o rio.
Há nuvens passando pelo céu.
A água é também uma noite clara.


Quando uma nuvem escorrega por cima da lua,
vejo-a escorregar no rio 

e parece-me que vago em pleno céu.

Penso em minha amada, 
que se reflete assim no meu coração.

(Poema do chinês: Tu Fu - Tradução de Cecília Meireles)


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Utopia




Quem Tivesse Um Amor

Quem tivesse um amor, nesta noite de lua,
para pensar um belo pensamento
e pousá-lo no vento!

Quem tivesse um amor - longe, certo e impossível -
para se ver chorando, e gostar de chorar,
e adormecer de lágrimas e luar!

Quem tivesse um amor, e, entre o mar e as estrelas,
partisse por nuvens, dormente e acordado,
levitando apenas, pelo amor levado...

Quem tivesse um amor, sem dúvida nem mácula,
sem antes nem depois: verdade e alegoria...
Ah! quem tivesse... (Mas, quem teve? quem teria?)

Cecília Meireles






A Felicidade de Sonhar-te




Venturosa de Sonhar-te



Venturosa de sonhar-te,

à minha sombra me deito.

(Teu rosto, por toda parte,

mas, amor, só no meu peito!)



-Barqueiro, que céu tão leve!

Barqueiro, que mar parado!

Barqueiro, que enigma breve,

o sonho de ter amado!



Em barca de nuvem sigo:

e o que vou pagando ao vento

para levar-te comigo

é suspiro e pensamento.



-Barqueiro, que doce instante!

Barqueiro, que instante imenso,

não do amado nem do amante:

mas de amar o amor que penso!


Cecilia Meireles




quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Revoada de Palavras




Voo

Alheias e nossas
as palavras voam.
Bando de borboletas multicores,
as palavras voam.
Bando azul de andorinhas,
bando de gaivotas brancas,
as palavras voam.
Voam as palavras
como águias imensas.


Oh! alto e baixo
em círculos e retas
acima de nós, em redor de nós
as palavras voam.

E às vezes pousam.

Cecília Meireles




O Poder das Palavras



Das Palavras Aéreas

Ai, palavras, ai, palavras,

Que estranha potência, a vossa!

Ai, palavras, ai, palavras,
Sois de vento, ides no vento,
No vento que não retorna,
E, em tão rápida existência,
Tudo se forma e transforma!
Sois de vento, ides no vento,
E quedais, com sorte nova!

Ai, palavras, ai palavras,

Que estranha potência, a vossa!

Todo o sentido da vida
Principia à vossa porta;
O mel do amor cristaliza
Seu perfume em vossa rosa;
Sois o sonho e sois a audácia,
Calúnia, fúria, derrota...

A liberdade das almas,

Ai! com letras se elabora...

E dos venenos humanos
Sois a mais fina retorta:
Frágil, frágil como o vidro
E mais que o aço poderosa!
Reis, impérios, povos, tempos,
Pelo vosso impulso rodam...


Cecília Meireles