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terça-feira, 22 de novembro de 2016
quarta-feira, 1 de junho de 2016
Amor Em Lágrimas
Amor Em Lágrimas
Ouve o mar que soluça na solidão
Ouve, amor, o mar que soluça
Na mais triste solidão
E ouve, amor, os ventos que voltam
Dos espaços que ninguém sabe
Sobre as ondas se debruçam
E soluçam de paixão
Dos espaços que ninguém sabe
Sobre as ondas se debruçam
E soluçam de paixão
E ouve, amor, no fundo da noite
Como as árvores ao vento
Num lamento se debruçam
E soluçam para o chão
Como as árvores ao vento
Num lamento se debruçam
E soluçam para o chão
Deixa, amor, que um corpo sedento
Como as árvores e o vento
No teu corpo se debruce
E soluce de paixão
Como as árvores e o vento
No teu corpo se debruce
E soluce de paixão
Vinicius de Moraes
quinta-feira, 14 de abril de 2016
Os rios começam a dormir
Rios começam a dormir, pela
orla.
Um dom de entardecer percorre as águas.
Nas entranhas dessas lagoas
os sapos tocam violas
a quinze metros do arco-íris
o sol é cheiroso
A ciência ainda não pode
provar o contrário.
Um dom de entardecer percorre as águas.
Nas entranhas dessas lagoas
os sapos tocam violas
a quinze metros do arco-íris
o sol é cheiroso
A ciência ainda não pode
provar o contrário.
Manoel de Barros
Sabastião
Sabastião
Todos eram iguais perante a lua
Menos só Sabastião,
mas era diz-que louco daí pra
fora
— Jacaré no seco anda?
— preguntava.
Meu amigo Sabastião
Um pouco louco
Corria divinamente de jacaré.
Tinha um que era da sela dele somentes
E estranhava as pessoas.
Naquele jacaré ele apostava corrida
com qualquer
peixe
Que esse Sabastião era ordinário!
Desencostado da terra
Sabastião
Meu amigo
Um pouco louco.
Manoel de Barros
O Encanto da Poesia de Manoel de Barros
Sombra Boa
Sombra Boa não tinha e-mail.
Escreveu um bilhete:
Maria me espera debaixo do ingazeiro
quando a lua tiver arta.
Amarrou o bilhete no pescoço do cachorro
e atiçou:
Vai, Ramela, passa!
Ramela alcançou a cozinha num átimo.
Maria leu e sorriu.
Quando a lua ficou arta Maria estava.
E o amor se fez
Sob um luar sem defeito de abril.
Manoel de Barros
quarta-feira, 13 de abril de 2016
Se achante
Se achante
Era um caranguejo muito se achante.
Ele se achava idôneo para flor.
Passava por nossa casa
Sem nem olhar de lado.
Parece que estava montado num coche
de princesa.
Ia bem devagar
Conforme o protocolo
A fim de receber aplausos.
Muito achante demais.
Nem parou para comer goiaba.
(Acho que quem anda de coche não come
goiaba).
Ia como se fosse tomar posse de deputado.
Mas o coche quebrou
E o caranguejo voltou a ser idôneo para
mangue.
Passava por nossa casa
Sem nem olhar de lado.
Parece que estava montado num coche
de princesa.
Ia bem devagar
Conforme o protocolo
A fim de receber aplausos.
Muito achante demais.
Nem parou para comer goiaba.
(Acho que quem anda de coche não come
goiaba).
Ia como se fosse tomar posse de deputado.
Mas o coche quebrou
E o caranguejo voltou a ser idôneo para
mangue.
Manoel de Barros
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