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sábado, 19 de março de 2016

Outono



Outono

O outono já chegou - aos arrufos do vento
as folhas num desmaio embalam-se pelo ar...
- Vão caindo... caindo... uma a uma, em desalento
e uma a uma, lentamente, vão no chão pousar...

O céu perdeu o azul - vestiu-se de cinzento
e envolveu na neblina a luz baça do luar...
- na alameda onde vou, de momento a momento,
há um gemido de folha a cair e a expirar...

O arvoredo transpira as carícias dos ninhos,
e o vento a cirandar na curva das estradas
eleva o folharéu no espaço em redemoinhos...

Há um córrego a levar as folhas secas em bando...
- e à aragem que soluça entre as ramas curvadas,
parece que o arvoredo em coro está chorando!...

J.G. de Araújo Jorge




quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Olho Minhas Mãos...


Olho Minhas Mãos...

E dizer que estas mãos te conheceram...
Que para elas não guardavas segredos
e a elas tantas vezes te entregaste, 
em confiança como uma criança...

Olho-as, como se fossem as mãos
de um jogador - que tudo ganha e tudo perde -
mãos que tudo tiveram nervosas, aflitas,
e de repente já nada tem, e estão vazias e infinitas
sobre o pano verde...
(Só que em minha roleta, o pano é negro,
da cor dos teus olhos...)

Preocupo-me, amor, neste momento, ao fitá-las:
quanta coisa puderam ter retido...
E penso:
- quem há de, agora, desabotoar atrás
aquele teu vestido?

Estas mãos, que foram guias, cicerones
em viagens maravilhosas
ao redor de nós mesmos -
mãos que inutilmente carrego:
- agora,
mãos insones,
mãos nervosas,
são como guias de um cego.

JG de Araújo Jorge



terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

O Verbo Amar



O Verbo Amar

Te amei: era de longe que te olhava
e de longe me olhavas vagamente...
Ah, quanta coisa nesse tempo a gente sente,
que a alma da gente faz escrava.

Te amava: como inquieto adolescente,
tremendo ao te enlaçar, e te enlaçava
adivinhando esse mistério ardente
do mundo, em cada beijo que te dava.

Te amo: e ao te amar assim vou conjugando
os tempos todos desse amor, enquanto
segue a vida, vivendo, e eu vou te amando...

Te amar: é mais que um verbo, é a minha lei
e é por ti que o repito no meu canto:
   
te amei, te amava, te amo e te amarei!

J. G. de Araújo Jorge

Blog de meuamorvirtual : Borboletando, O Verbo Amar

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Simplicidade


Simplicidade


Tão simples este amor nasceu... Nós nem notamos
que era amor e afeição que aos poucos nos prendia...
O amor é aquela flor que engrinalda dois ramos
aos esponsais de luz do sol de cada dia!


Dois ramos, - eu e tu - e as horas desfolhamos
numa doce, irrequieta e impensada alegria,
e assim vamos vivendo e, a viver, elevamos
nossos sonhos aos céus azuis da fantasia!


Tão simples este amor nasceu... Tal como nasce
um beijo em tua boca, um riso em tua face,
uma estrela no céu... ou a flor de um botão.. .


Nem era necessário mesmo eu te falar,
se já o tens transformado em luz no teu olhar,
e eu já o sinto a cantar dentro do coração!


J.G. de Araújo Jorge 




Sabe o que eu acho lindo no amor?! As suas inúmeras faces... por isso é o sentimento mais desejado e o mais falado na Literatura, em verso ou prosa...


Neste poema, o amor é simples como uma flor que engrinalda dois ramos... nasceu de uma forma sutil, natural, como um beijo, como um riso, como um botão que desabrocha em flor...


Para Camões, o amor é fogo, é ferida, é dor, é um contentamento descontente, é um sentimento contrário a si mesmo...


E assim os poetas e os amantes seguem descrevendo o amor ao longo do tempo, e nunca conseguirão descrevê-lo, simplesmente porque ele é único, singular, ímpar... duas pessoas não amam do mesmo jeito, cada amor é um amor, é seu e de mais ninguém, como na música "Nem eu" do Dorival Caymmi:


"Quem inventou o amor
Não fui eu
Não fui eu, não fui eu
Não fui eu nem ninguém"



Beijos a todos


com carinho


Isabel



quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O Amor em Todos os Tempos


O Verbo Amar
  
Te amei: era de longe que te olhava
e de longe me olhavas vagamente...
Ah, quanta coisa nesse tempo a gente sente,
que a alma da gente faz escrava.

Te amava: como inquieto adolescente,
tremendo ao te enlaçar, e te enlaçava
adivinhando esse mistério ardente
do mundo, em cada beijo que te dava.

Te amo: e ao te amar assim vou conjugando
os tempos todos desse amor, enquanto
segue a vida, vivendo, e eu, vou te amando...

Te amar: é mais que em verbo é a minha lei,
e é por ti que o repito no meu canto:
te amei, te amava, te amo e te amarei!

JG de Araújo Jorge