Mostrando postagens com marcador Mario Quintana. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mario Quintana. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Esperança


Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Mario Quintana


terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

A Rua dos Cataventos


A Rua dos Cataventos

Escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta é cor das venezianas:
Verde!... E que leves lindas filigranas
Desenha o sol na página deserta!

Não sei que paisagista doidivanas
Mistura os tons... acerta... desacerta...
Sempre em busca de nova descoberta,
Vai colorindo as horas quotidianas...


Jogos da luz dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço...
Pra que pensar? Também sou da paisagem...

Vago, solúvel no ar, fico sonhando...
E me transmuto... iriso-me....estremeço...
Nos leves dedos que me vão pintando!

Mario Quintana

 

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Viração


Viração

Voa um par de andorinhas, fazendo verão.
E vem uma vontade de rasgar velhas cartas,
velhos poemas, velhas contas recebidas.
Vontade de mudar de camisa,
por fora e por dentro... vontade...
Para quê esse pudor de certas palavras?...
Vontade de amar, simplesmente. 

Mario Quintana



A Ciranda


A Ciranda

Meninazinha bonita dos olhos ingênuos e grandes,
uma vez na ciranda eu perdi tua mão...
Sinto ainda fugir-me à flor da pele, aflita,
sua desesperada e última pressão!
 
E a vida continuou, ora em lenta pavana,
ora numa quadrilha, em tonta confusão.

Quantas vezes julguei, mas foi sempre ilusão,
viver aquela hora, entre as horas bendita,

que uniu palma com palma e alma contra alma...
Mas que busco afinal, que miragem acalma
tão inquieta procura em um mundo já findo?

Porém, o mundo não é só o que se vê.
Talvez um dia eu morrerei sorrindo,
e só os anjos saberão por quê!

Mario Quintana